Só uma grande pressão governativa pode explicar que Sócrates tenha levado à União Europeia, umas ideias de PEC 4 que não estavam vacinadas pela correlação de forças políticas no seu país. O não ter comunicado ao Presidente da República foi outro erro. Parece uma resposta tão desadequada como foi o discurso deste na tomada de posse. E feita depois de o PR ter sido condenado por muitas opiniões independentes. Ao fazer o mesmo...
Agora, resta-lhe ou o que já disse: a demissão caso seja reprovado o seu plano; ou não fazer novo PEC e ir governando mas, neste caso, a Sra. Merkel fica, para ela própria, a pensar que este país do Sul parece não pertencer à Europa e parece-se mais com os do "equador islâmico"... (com o respeito devido, claro).
quinta-feira, 17 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Discurso de posse de Cavaco Silva
Este discurso de posse, como todos os outros dos anteriores Presidentes da República, independentemente do seu conteúdo, vai engrossar as lombadas dos livros onde eles são depositados pela Imprensa Nacional Casa da Moeda. Vai apenas constituir retórica. Apenas retórica porque entre a palavra e a acção há o espaço imaterial da só palavra. A acção começa a concretizar-se depois. Ora, como o Presidente não age, temos palavras que valem o que valem. E valeriam muito. Seriam vitais se os nossos concidadãos sentissem que, como disse Cavaco Silva, a nossa economia, nos últimos 10 anos, por via do investimento e iniciativa nacionais (o RNB) cresceu a média de 0,1 por cento ao ano; e a nossa economia no conjunto do investimento e iniciativa económica estrangeira e nacional (o PIB) cresceu 0,7 por cento ao ano. Quer dizer que o nosso crescimento é devido ao investimento estrageiro: à Autoeuropa e outras, que contam para o PIB e não para o RNB. O crescimento da nossa economia, por parte dos nossos empresários é quase um aumento zero. Explicações: situação da administração pública e da Justiça; falta de dinamismo social e empresarial; carência de formação, tecnologia e competência; bloqueios legais e burocracia, desvantagem fiscal face à concorrêcia (muitas empresas portuguesas no estrageiro e mesmo em Portugal estão domiciliadas fiscalmente na Holanda e outros paraísos fiscais) etc.
Mas como em muitas destas coisas ninguém em Portugal tem poder de alterar a situação, só a União Europeia nos poderia valer. E só vai valer quando a necessidade tocar à porta de mais países. Já estivemos mais longe disso.
Dentro da retórica, continuar a dizer-se que se fala verdade sem referir a crise de 2008, que afecta todo o Mundo, Ó Dr. Cavaco, isso constitui a verdadeira omissão da parte mais importante da realidade.
Mas como em muitas destas coisas ninguém em Portugal tem poder de alterar a situação, só a União Europeia nos poderia valer. E só vai valer quando a necessidade tocar à porta de mais países. Já estivemos mais longe disso.
Dentro da retórica, continuar a dizer-se que se fala verdade sem referir a crise de 2008, que afecta todo o Mundo, Ó Dr. Cavaco, isso constitui a verdadeira omissão da parte mais importante da realidade.
terça-feira, 8 de março de 2011
A Revolução Árabe
Está a surpreender, para já. Pensava-se, ou muitos pensam, que a tutela divina e o temor a Deus eram considerados como factores de moderação social, de complacência para com os contrastes, em resumo, de pacificação das sociedades. E as revoltas populares que estão a acontecer nos países árabes do Norte de África apresentam-se sem ligações religiosas, numa sociedade que, como sabemos, está longe de ser caracterizada pelo laicismo.
Também se tem a ideia, ou alguns têm, que há povos que não “estão preparados para viver em Democracia”. Montesquieu alertou para os inconvenientes de “se precipitar o uso do sufrágio universal”. Como as comemorações dos 100 anos da República me ensinaram, Afonso Costa decepcionou a História com a sua avareza quanto ao reconhecimento do direito de voto às mulheres, pela pouco democrática e muito republicana razão de que a maioria das mulheres portuguesas não votaria na República.
E a Democracia? Esta é um regime! E o Mundo é regido por governos e não por regimes. E os governos, constituídos por governantes, obviamente, têm relações uns com os outros, em nome dos seus Estados. Não são os regimes que se relacionam, importam e exportam, etc. A natureza das relações entre países é o mais inexorável ambiente que define a chamada “real politique”, no sentido menos digno ou mais pejorativo que a expressão traduz. E os media vão atrás disto, também. Desde ontem, o ditador, o caricato, o abjecto Kadafi voltou a ser chamado de Presidente, porque parece que as suas tropas estão a reconquistar terreno aos rebeldes!
Também se tem a ideia, ou alguns têm, que há povos que não “estão preparados para viver em Democracia”. Montesquieu alertou para os inconvenientes de “se precipitar o uso do sufrágio universal”. Como as comemorações dos 100 anos da República me ensinaram, Afonso Costa decepcionou a História com a sua avareza quanto ao reconhecimento do direito de voto às mulheres, pela pouco democrática e muito republicana razão de que a maioria das mulheres portuguesas não votaria na República.
E a Democracia? Esta é um regime! E o Mundo é regido por governos e não por regimes. E os governos, constituídos por governantes, obviamente, têm relações uns com os outros, em nome dos seus Estados. Não são os regimes que se relacionam, importam e exportam, etc. A natureza das relações entre países é o mais inexorável ambiente que define a chamada “real politique”, no sentido menos digno ou mais pejorativo que a expressão traduz. E os media vão atrás disto, também. Desde ontem, o ditador, o caricato, o abjecto Kadafi voltou a ser chamado de Presidente, porque parece que as suas tropas estão a reconquistar terreno aos rebeldes!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O Poder e o dinheiro ou "Não basta ser rico para ser bem educado"
Que o dinheiro dá poder é uma afirmação palisseana. Mas, a partir de um certo nível de fortuna parece que os afortunados deixam de querer mais dinheiro e passam a querer é mais poder.
Exemplo desta constatação foi a declaração de Alexandre Soares dos Santos, dono dos supermercados Pingo Doce e de outras coisas mais. Na apresentação pública das contas das suas empresas, questionado sobre a exactidão das mesmas, por um jornalista, responde que "ali não há truques. Truques é com o Socrates!"
Ao longo da minha vida profissional na Gestão verifiquei que muitas pessoas endinheiradísimas reagiam mal quando confrontadas com a necessidade de pedirem pessoalmente autorizações ou simples boas diligências a titulares de orgãos de soberania política. Principalmente quando eram mais novos e tinham feito uma carreira política com notoriedade e rápida. Perturbava-os a comparação com a sua própria vida, de trabalho de várias gerações, sem projecção social, com muito dinheiro mas nunhum reconhecimento público, ao contrário do jovem político, "um doutorzeco que subiu à custa do partido político... que não tem onde cair morto..."
Parece-me que este é também o drama de vida de Alexandre Soares dos Santos (a quem, deve dizer-se, Socrates respondeu magistralmente). E é lamentável que tenha este estigma. Que nos leva a pensar que, afinal, é por causa dele que criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, cujo trabalho é de realçar a quem nela trabalha. Devia ter-se lembrado que um Primeiro Ministro, para o ser, tem de ter mais de dois milhões de votos dos portugueses. Mais do que os clientes do Pingo Doce que, com esta, perdeu, pelo menos, um. Eu!...
Exemplo desta constatação foi a declaração de Alexandre Soares dos Santos, dono dos supermercados Pingo Doce e de outras coisas mais. Na apresentação pública das contas das suas empresas, questionado sobre a exactidão das mesmas, por um jornalista, responde que "ali não há truques. Truques é com o Socrates!"
Ao longo da minha vida profissional na Gestão verifiquei que muitas pessoas endinheiradísimas reagiam mal quando confrontadas com a necessidade de pedirem pessoalmente autorizações ou simples boas diligências a titulares de orgãos de soberania política. Principalmente quando eram mais novos e tinham feito uma carreira política com notoriedade e rápida. Perturbava-os a comparação com a sua própria vida, de trabalho de várias gerações, sem projecção social, com muito dinheiro mas nunhum reconhecimento público, ao contrário do jovem político, "um doutorzeco que subiu à custa do partido político... que não tem onde cair morto..."
Parece-me que este é também o drama de vida de Alexandre Soares dos Santos (a quem, deve dizer-se, Socrates respondeu magistralmente). E é lamentável que tenha este estigma. Que nos leva a pensar que, afinal, é por causa dele que criou a Fundação Francisco Manuel dos Santos, cujo trabalho é de realçar a quem nela trabalha. Devia ter-se lembrado que um Primeiro Ministro, para o ser, tem de ter mais de dois milhões de votos dos portugueses. Mais do que os clientes do Pingo Doce que, com esta, perdeu, pelo menos, um. Eu!...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A Moção de Censura derrotada pelo ridículo
Para algumas pessoas de esquerda, a esquerda é só a deles, ou são só eles.
Corolário desta posição: é preferível estar uma direita radical no governo do que uma outra esquerda qualquer sem eles. Não suportam uma situação de governo que se intitula de esquerda mas diferente da deles, não radicalizada em políticas ultrapassadas de estatização económica e de isolamento político na Europa, no Ocidente e no Mundo.
A novidade, porém, é que os dois partidos leninistas do nosso espectro político, nomeadamente o mais jovem, o Bloco de Esquerda desenfreou numa competição com o PCP, como para mostrar quem faz mais serviço, qual líder sindical que adopta a postura arrogante (quando não mal educada), ao falar na TV, para convencer os associados do seu sindicato estão a ser valentemente defendidos.
Traduziu-se esta postura na apresentação de uma moção de censura quando uma semana antes criticavam o outro partido mais próximo, o pobre do PCP, de dizer que ia fazer o mesmo.
E do que disseram os outros partidos da direita e da extrema direita conclui-se que a moção que o Bloco vai apresentar não é derrotada políticamente. É-o pelo ridículo!
Corolário desta posição: é preferível estar uma direita radical no governo do que uma outra esquerda qualquer sem eles. Não suportam uma situação de governo que se intitula de esquerda mas diferente da deles, não radicalizada em políticas ultrapassadas de estatização económica e de isolamento político na Europa, no Ocidente e no Mundo.
A novidade, porém, é que os dois partidos leninistas do nosso espectro político, nomeadamente o mais jovem, o Bloco de Esquerda desenfreou numa competição com o PCP, como para mostrar quem faz mais serviço, qual líder sindical que adopta a postura arrogante (quando não mal educada), ao falar na TV, para convencer os associados do seu sindicato estão a ser valentemente defendidos.
Traduziu-se esta postura na apresentação de uma moção de censura quando uma semana antes criticavam o outro partido mais próximo, o pobre do PCP, de dizer que ia fazer o mesmo.
E do que disseram os outros partidos da direita e da extrema direita conclui-se que a moção que o Bloco vai apresentar não é derrotada políticamente. É-o pelo ridículo!
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Tunisian Girl, un sinal dos nossos tempos
Uma estudante tunisina passava os dias sem sair do quarto, a estudar e agarrada ao computador -- era esta a opinião do seu pai, activista político na sua juventude e que tinha passado 8 anos preso, por motivos políticos. Desliga-se de qualquer atividade política, já perto dos sessenta anos, trabalha desmotivado pela situação política de ditadura em que vive o seu país. Eclode o movimento popular em Tunes e, o pai, sai para a rua, louco de alegria, "até que enfim, chegou a nossa hora de libertação!" Corre para se juntar à manifestação. Ao chegar, vê a sua filha na primeira fila a coordenar a manif...
O que se passou? A rapariga tinha um site em que defendia as ideias de democracia e abertura política. O site foi bloqueado pelas autoridades. Ela pede ajuda a outros sites do mundo inteiro que lhe dão guarida e onde passou a escrever. Era a "tunisian girl". Desconhecida de todos os que a conheciam, conhecida da rede internacional por muitos que não sabiam quem ela era. Nem o próprio Pai, activista político que tinha estado, por isso, oito anos preso...
Esta história diz dos acontecimentos na Tunísia, certamente no Egito e onde mais, levantamentos populares, expontaneamente, se formam e levantam contra regimes opressores e ditatoriais. As ideias marxistas, diferentemente defendidas ao longo da história, do "movimento das massas", parecem ressuscitar com esta modernidade da internete e das redes sociais. E Marx nunca disse que a revolução se fazia com partidos políticos (e muito menos com os partidos comunistas). O que ele disse foi que ela se faria de "acordo com o Movimento Geral da História". Com a tecnologia, a ciência, as redes que geram tunisinas assim...
O que se passou? A rapariga tinha um site em que defendia as ideias de democracia e abertura política. O site foi bloqueado pelas autoridades. Ela pede ajuda a outros sites do mundo inteiro que lhe dão guarida e onde passou a escrever. Era a "tunisian girl". Desconhecida de todos os que a conheciam, conhecida da rede internacional por muitos que não sabiam quem ela era. Nem o próprio Pai, activista político que tinha estado, por isso, oito anos preso...
Esta história diz dos acontecimentos na Tunísia, certamente no Egito e onde mais, levantamentos populares, expontaneamente, se formam e levantam contra regimes opressores e ditatoriais. As ideias marxistas, diferentemente defendidas ao longo da história, do "movimento das massas", parecem ressuscitar com esta modernidade da internete e das redes sociais. E Marx nunca disse que a revolução se fazia com partidos políticos (e muito menos com os partidos comunistas). O que ele disse foi que ela se faria de "acordo com o Movimento Geral da História". Com a tecnologia, a ciência, as redes que geram tunisinas assim...
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
"O 25 de Abril do Egito"
Mubarak resignou e o poder ficou com o Conselho Superior Militar.
A mensagem que antecede esta, escrita ontem, foi hoje respondida: Os Generais perceberam o que tinham a fazer, nas circunstâncias. O povo está contente e há que pense, com razão, que o futuro mais plausível dos ditadores corruptos é, para além de serem corridos sem honra nem glória..., verem-se privados da fortuna roubada. Os bancos suiços já não lhes dão garantias.
"Isto é que vai uma vida!... heim" -- pensarão o José Eduardo dos Santos e as suas ricas filhas.
A mensagem que antecede esta, escrita ontem, foi hoje respondida: Os Generais perceberam o que tinham a fazer, nas circunstâncias. O povo está contente e há que pense, com razão, que o futuro mais plausível dos ditadores corruptos é, para além de serem corridos sem honra nem glória..., verem-se privados da fortuna roubada. Os bancos suiços já não lhes dão garantias.
"Isto é que vai uma vida!... heim" -- pensarão o José Eduardo dos Santos e as suas ricas filhas.
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