sexta-feira, 1 de abril de 2011

Um Golpe de Estado ou o Samba do criolo doido

O Sr. Presidente da República, no discurso de disolução da A. da R. deixou entender que o Governo em Gestão poderia contar com o seu apoio no caso de ter de recorrer ao FMI. Como? O Governo responde políticamente perante a Assembleia, não perante o PR. Mas dá-lhe apoio público! Onde é que isto está na Constituição? O Governo viu chumbado o seu PEC IV na A. da R. por todos os partidos da oposição. O Governo em Gestão está impedido de fazer compromissos internacionais que influenciem a situação do país para além dos seus três neses de gestão de assuntos correntes. A minha impressão é que se instaurou um verdadeiro golpe de Estado "constitucional", com o PR a dizer que apoia o que só a A. da R. poderia apoiar, que não existe para apoiar o que quer que seja. E o líder do maior partido da Oposição diz que apoia os planos do governo, em matéria de pedido de auxílio. Como? Assina-os com o Governo? Compromete-se publicamente como apoio ao que ao Governo compete? Quer governar na oposição com eleições marcadas? O samba do criolo doido tem uma letra mais lógica!

terça-feira, 29 de março de 2011

Parabéns à Crise...

As Agências de Rating olham para Portugal de maneira diferente da que olharam para a Grécia e para a Irlanda, quando foram assinados os programas de auxílio financeiro do FMI. A Grécia era encarada como um país sem clareza nas suas contas, com dificuldades que lhe advinham da adesão despreparada ao Euro. A Irlanda era vista como uma vítima sem poder de reacção a uma bolha imobiliária enorme que contaminou o sistema bancário. Portugal, hoje, é visto de maneira diferente: não apresenta competitividade e o outlook de crescimento económico é o mais baixo da União. Resultado, as dúvidas sobre o pagamento das nossas dívidas crescem, os juros sobem, as dúvidas aumentam porque os juros sobem e estes sobem porque aquelas aumentam. Saída: Crise política!... Quem quisesse enterrar o país não encontrava melhor ideia. Parabéns PSD, parabéns PR... parabéns aos demais que acham que antecipar eleições vai ajudar.

sábado, 26 de março de 2011

Mereciamos melhor sorte!

O PSD votou contra o PEC4 na Assembleia. Passos Coelho, um dia depois, na reunião do Partido Popular Europeu, em Bruxelas, disse que se comprometeria com os objectivos daquele programa de regularização das contas públicas. O PSD votou contra a avaliação de professores mas diz que é a favor da avaliação. Os sindicatos tinham aprovado o sistema de avaliação mas apoiam a sua reprovação opela Assembleia da República.
Ontem, na entrevista à SIC, P. Coelho disse que o FMI não entraria em Portugal por sua vontade. Um minuto depois, dizia que a Grécia e a Irlanda pediram ajuda ao FNI e estão a pagar juros menores do que paga Portugal. Duas tiradas que me levam a pensar que P. C. é pior do que Manuela Ferreira Leite pensava, que o excluiu da lista de deputados do seu partido. Contradição à parte, embora cometido num espaço de 60 segundos seja grave, tem má informação. O capital emprestado pelo Fundo paga menos juro, mas o restante, que é muito mais, quer no caso da Grécia quer no da Irlanda, pagam muito mais do que opagavam e mais do que nós estamos a pagar. Mas se está convencido do contrário então porque é contra a entrada do FMI?
Portugal merecia uma melhor hipótese para Primeiro Ministro.
P'ra isto não valia a pena mudar de governo...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Manter "A fisionomia da frente", precisa-se!

A fórmula que tenho usado para situar o país no campo das dificuldades que o afectam é: Semi-presidencialismo dá semiparlamentarismo e estas duas características constitucionais dão semigovernismo quando ele não tem maioria parlamentar. Foi o que se viu desde as últimas eleições. Governava-se a meio vapor. Semana a semana havia um boato a dizer que o governo ia ter uma moção de censura, que ora era elogiado ora criticado, enfraquecido pelas circunstâncias políticas, económicas, mediáticas, pelas Agências de rating, etc. Os dados mais favoráveis eram afogados de imediato pelos opositores, alastrando a desconfiança e a descrença. Entretanto os juros iam subindo e, neste ano, a concentração de dívida a amortizar é estupefaciente (44 mil milhões de euros). Realmente apenas o Primeiro Ministro mantinha a "fisionomia da frente", ou seja, não deixava que o "inimigo" visse, ou se apercebesse, das fragilidades internas do governo, da economia, do país, quer cá dentyro quer quando ia lá fora.
Agora venha um governo de maioria, é o que desejo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Esta crise política é areia de mais para a caminheta de Cavaco

Cavaco Silva disse hoje, na TV, que não tinha espaço de manobra para intervir no curso previsível da crise que está a conduzir a eleições antecipadas. Cavaco confessa que perdeu a liberdade de acção (ou de decisão, como dizem os militares). Esta é a última coisa que um comandante quer perder: a liberdade de conduzir os acontecimentos. Atribui a sua incapacidade à rapidez do evoluir da situação. Deveria acrescentar que a culpa é dele... Deveria ter agido mais rapidamente. A reação tem de ser à medida e no tempo da acção. Ou não?
PS.: remeto para a nota anterior.
Como diz um velho camarada meu, "Valha-me Santo António, Tenente-Coronel de Infantaria 19.

domingo, 20 de março de 2011

Depois dos bombardeamentos estrangeiros na Libia Kadafi pode ganhar mais apoiantes

Estamos perante uma guera civil na Líbia. De um lado uma parcela do povo adeptos do ditador Kadafi, há 40 anos no poder; do outro o povo que o contesta e luta por uma democracia. Os pró regime terão benefícios e sinecuras do poder rico de petróleo. Os outros não têm nada, nem um lider, têm um conselho governativo, constituído depois que os tumultos se iniciaram.
A intervenção internacional faz-se contra Kadafi. Não vale a pena desfarçá-lo, agora, que as acontrecimentos parecem mais indefinidos. Esta guerra, com armas de Kadafi e, a partir de ontem, com as mais sofisticadas armas usadas pelas forças da coligação internacional ignora a essência, ou as razões da guerra que eclodiu na Líbia. Esta é uma guerra civil que vai continuar ou parar para depois eclodir de novo. E se a comunidade internacional pretendia intervir, para evitar sacrifícios humanos, deveria tê-lo feito há mais tempo e eliminando um dos contendores, o que é responsável pela guerra, pela ditadura que exerce, e pela loucura de matar a sua população indefesa. As meias tintas da decisão internacional pode prejudicar e enviesar o curso mais conveniente dos acontecimentos. Dizem os telejornais que os EEUU declararam não querer matar o Kadafi. Então as baixas colaterais só servem para explicar as baixas de civis anónimos?... Será uma pergunta cínica mas a eliminação ou a erradicação de Kadafi é o passo decisivo ns contenda. Ou há outra solução?

sábado, 19 de março de 2011

Cavaco omisso perante a crise

Só a grande embrulhada em que o Governo (Sócrates) se meteu permite esquecer que Cavaco, na recente campanha eleitoral que lhe deu a vitória, dizia que se tivesse que ir à 2ª. volta o país ia sofrer com isso porque os juros que os mercados nos cobram iam aumentar. Em todo o caso, cabe perguntar se, agora, estivermos 4 meses com um governo de gestão, o que nos acontece aos juros e à satisfação dos pagamentos que temos de efectual em Abril e em Junho? E cabe, certamente, concluir que, depois do seu discurso de posse, ele passou a ver as coisas de outro modo ou, então, vê as coisas consoante estão os seus interesses e ambições em jogo. E não se empenhará em maiores esforços para evitar a crise política que, evidentemente, é o que menos interessaria ao país.