quarta-feira, 12 de maio de 2010

Distraindo o Santo

O Manel vai voltar ao blogue porque acabou um livro que já entregou ao editor que lhe prometeu que o punha "à luz do público" na segunda quinzena de JUNHO. Por isso mando este mail para que voltem a constatar de quanta ingenuidade as minhas opiniões são capazes.

sábado, 8 de maio de 2010

A Aceleração da História pelas Crises

As guerras, as crises, as grandes descobertas têm um efeito quase sempre acelerador da história. As reformas, as alterações e muito do que se foi adiando, do que deveria ter sido feito e não se fez, por inércia ou falta de meios, ganha premência na execução e, normalmente, faz-se à pressa, aceleradamente, quando não precipitadamente. É o processo histórico...
Diz-se que esta Crise de 2008 não vai deixar a Europa como está. Ou avança e se aprofunda, no sentido de uma maior vinculação e governação harmonizada, a caminho de uma das múltiplas formas que a Federação pode assumir ou se reduz, regride e, ou acaba ou volta à primaira forma da Europa dos seis, ou dois, no reduto franco-germânico que, por sua vez, reune a maior potencialidade de novos conflitos europeus. Assim, a aceleração imprime rapidez em vários sentidos: bons e maus. Resta esperar que desta resulte uma orientação no bom sentido: no reconhecimento de que não há uma moeda comum sem políticas sociais, económicas e, principalmente, fiscais comuns. Que não há políticas harmonizadas sem mecanismos de coordenação que tenham um poder legitimado para coordenar. A Alemanha e a Grécia não podem andar em roda livre, cada país por si. Mas, para isso, não se podem pedir esforços à população alemã para ajudar a Grécia quando os germânicos trabalham até aos 67 anos e os gregos não querem passar dos 62 para os 65 e, na prática, a maioria reforma-se aos 52, porque não há penalizações suficientes. Se quiserem uma moeda única têm de contribuir todos de igual modo para a sua estabilidade. Esta crise já produziu esta "drive" .

sexta-feira, 7 de maio de 2010

A Crise e as oportunidades

A maior banalidade que se pode dizer é que estamos em crise e que os juros que pagamos sobre a nossa dívida externa estão mais altos. Outra banalidade é que os investimentos devem ser avaliados em função do seu retorno financeiro e social, quer haja crise ou não haja. Um mau investimento fica tão mais caro em crise como um bom investimento. Uma coisa é o custo do dinheiro investido, outra a rendibilidade daquilo em que se investe. Um mau investimento rende pouco, um bom, muito. Outra coisa, ainda, é se temos ou não orçamento para suportar o investimento enquanto ele não comece a remunerar os euros investidos. Aqui entra a iteração estratégica, de ajustamento do binómio (objectivos/capacidades e recursos). Efectivamente, há que avaliar o montante a investir, durante quanto tempo, o retorno que se prevê e o efeito multiplicador que ele tem sobre a economia e a sociedade.
Nós temos uma oportunidade a não desperdiçar: a dos espanhóis quererem fazer o TGV de Madrid a Badajoz e não de Madrid ao porto de Cadiz, por exemplo, como foi pensado. Passa pela cabeça de alguém criar a Portugal um isolamento maior do que a sua condição periférica já o sujeita? E perder a oportunidade de reduzir os custos de transação das nossas exportações e das ligações do exterior para Espanha, através do nosso país?
Já em relação às autoestradas, à Terceira Travessia, cuidado! Parece-me que os exemplos dados a pilotar processos decisórios levantam dúvidas. Os objectivos têm de ser evidentes! Explicam-se a si mesmos. O Governo deu-nos dúvidas sobre isto! O aeroporto na Ota não tinha explicação! A Terceira Travessia não tem explicação clara, pode ser adiada sem consequências, estendendo a linha da Alta Velocidade do Poceirão ao Pinhal Novo. Mais 14 Kms em terreno plano e de poucas expropriações. No Pinhal Novo, o passageiro apanha o metro que entra em Lisboa, com ligações em Sete Rios, Entre Campos, etc. à cidade inteira e à linha de Sintra, Cascais e Vila Franca. E se do Pinhal Novo quizer ir para o Sul só vê a sua vida facilitada. Um objectivo evidente é mobilizador; um polémico cria descrença. Se nos falta fazer tanta coisa em Portugal, por que razão insistimos em fazer o que nos divide em vez do que nos une?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Visita do Papa

"Os países que receberam melhor o Papa" não faz parte de nenhum campeonato, como o que vai acontecer na África do Sul... Temos de receber bem toda a gente e isso é garantido pela tradicional hospitalidade lusitana e, naturalmente, pela esmagadora maioria dos portugueses que professa o catolicismo. Mas criar uma perturbação na vida dos portugueses com a tolerância de ponto, contribuir deste modo para a já baixíssima competitividade do trabalho nacional com mais um meio feriado, parece-me um exagero laicista que procura efeito contrário: não perder popularidade. E acaba fazendo o papel de "mais papista que o Papa". E fica mal na fotografia do rigor para com o interesse público quando ninguém é capaz de dizer quanto nos vai custar aquela visita.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Aos Seguidores deste blog

Peço desculpa desta ausência sem aviso, pois, na verdade, nunca pensei que me ausentava por tanto tempo. De regresso, volto à toada do custume, aos temas do costume para, se calhar, continuar a achar que isto é como escrever na areia, que o vento apaga. Mas como o saudoso Augusto Abelaira escrevia na água, olha, é mais um...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Defender a Liberdade: Honra a Manuel Serra

A liberdade de expressão só se defende em liberdade. Como a Democracia. Diariamente. Quando a liberdade se perde, a luta pela Democracia é diferente da que se pode fazer em liberdade. Com liberdade, a defesa das liberdades é um simples exercício do direito de cidadania. Sem liberdade, essa luta é conspirativa, clandestina, escondida dos verdugos da liberdade, com armas na mão, disposto a matar e morrer. Só quem não viveu a falta de Liberdade em ditadura pode dizer, hoje, que não se vive em plena liberdade em Portugal. Por isso invoco o meu companheiro da Acção Militar e Civil de Beja, contra a Ditadura Salazarista. Nem todos viveram a falta de liberdade com o mesmo sofrimento e a mesma coragem com que Manuel Serra soube lutar. A última viagem de Manuel Serra não foi a fugir à Pide. Digamos que foi para donde nos pode observar a todos melhor. E para que ele não fique triste, não tenho dúvida alguma de que haverá cidadania bastante para manter a Liberdade em Portugal, sem os "medos" falsos ou imaginários dos que nunca lutaram por ela.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Credibilidade precisa-se

Líderes sindicais do Ministério Público a criticarem decisões judiciais, do Procurador Geral da República;
decisões dos tribunais a ficarem pelo caminho sem serem cumpridas;
jornalistas a ousar perguntar ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça se a sua decisão não pode ser tida como "de favor" ao poder político;
jornais a violarem flagrantemente a lei do segredo de justiça, com a publicação de informações e os agentes do sistema judicial, com o fornecimento dessas informações;
dúvidas lançadas sobre a tentativa de controlo da comunicação social pelo governo, baseadas na inteligência de Mário Crespo e na isenção de Manuela Moura Guedes e no desejo da PT comprar parte da TVI;
e, ainda, a prática da divulgação de informações de natureza privada como direito inerente à liberdade de expressão;
constituem um caldo de cultura da desconfiança e da insegurança que ameaça o país nesta hora difícil em que a credibilidade é mais necessária, interna e externamente.